top of page
Buscar

Alguns minutos de poesia negra brasileira... - E.E. Jardim Bela Vista

  • Rosani Maria Peggion e Eva Zavarize
  • 6 de dez. de 2017
  • 2 min de leitura

O dia da Consciência Negra é sem dúvida, uma data para refletir. Todos nós devemos refletir sobre o fato de que por séculos os negros foram escravizados e tiveram constantes privações que vão muito além da liberdade... Muito falta ainda para concretizar a igualdade...

Declamações

Poesia Castro Alves – O Navio Negreiro


Senhor Deus dos desgraçados!

Dizei-me vós, Senhor Deus!

Se é loucura... se é verdade

Tanto horror perante os céus?!

Ó mar, por que não apagas

Co'a esponja de tuas vagas

De teu manto este borrão?...

Astros! noites! tempestades!

Rolai das imensidades!

Varrei os mares, tufão!


Quem são estes desgraçados

Que não encontram em vós

Mais que o rir calmo da turba

Que excita a fúria do algoz?

Quem são?

Se a estrela se cala,

Se a vaga à pressa resvala

Como um cúmplice fugaz,

Perante a noite confusa...

Dize-o tu, severa Musa,

Musa libérrima, audaz!...

São os filhos do deserto,

Onde a terra esposa a luz.

Onde vive em campo aberto

A tribo dos homens nus...

São os guerreiros ousados

Que com os tigres mosqueados

Combatem na solidão.

Ontem simples, fortes, bravos.

Hoje míseros escravos,

Sem luz, sem ar, sem razão. . .

São mulheres desgraçadas,

Como Agar o foi também.

Que sedentas, alquebradas,

De longe... bem longe vêm...

Trazendo com tíbios passos,

Filhos e algemas nos braços,

N'alma — lágrimas e fel...

Como Agar sofrendo tanto,

Que nem o leite de pranto

Têm que dar para Ismael. Lá nas areias infindas, Das palmeiras no país.


SOLANO TRINDADE- SOU NEGRO

A Dione Silva

Sou Negro

meus avós foram queimados

pelo sol da África minh’alma recebeu o batismo dos tambores atabaques, gonguês e agogôs


Contaram-me que meus avós

vieram de Loanda como mercadoria de baixo preço plantaram cana pro senhor do engenho novo

e fundaram o primeiro Maracatu.


Depois meu avô brigou como um danado nas terras de Zumbi

Era valente como quê

Na capoeira ou na faca

escreveu não leu

o pau comeu

Não foi um pai João

humilde e manso


Mesmo vovó não foi de brincadeira

Na guerra dos Malês

ela se destacou


Na minh’alma ficou

o samba

o batuque

o bamboleio

e o desejo de libertação…


NEGROS PALMARES

Poema e Artigo de Ceiça Moraes

Ter alma negra, ô meu irmão

É ter malícia, muito molejo

E a capoeira no coração.

Amor à arte

Arte é gingar

E o berimbau, saber tocar.

Fiz reverência ao mestre Nagô

Fiz reverência ao mestre Zumbi

Eu tenho o toque da capoeira

Gritando alto no coração.

Tombar aqui, tombar acolá

Levanta, negro! Não caia não!

Em Roda- Grande se batizar

São Bento Grande, te ajudar.

Capoeirista!

Não sabe não?

É ter o toque no coração.

Capoeiragem, não é vadiagem

É reviver sua negritude

Reviver “o Rei dos Palmares”

Ter “malandragem” sim! Pra se defender

Se for possível, não atacar “Deixa pra lá”

Se não tem jeito…

Tem que atacar


Dá “uma benção” pra não esquecer

Que foi uma defesa de escravo humilhado

Quando feitor se dizia “endeusado”!

Reviver negros palmares

É reviver a Redenção

Saber “o Toque”… saber jogar

Treinar o “AÚ” pra se libertar

“Pulo-do-gato”… ou “bananeira”

“S Dobrado”… Meu Santo Amaro!

“Pulo Mortal”! Iê, não caia não!

“Ponte-pra-frente”… “Ponte-pra-trás”

“Ponte-voltando” Isso é demais!

Reviver a escravidão é reviver a redenção

Quem me ensinou foi o Mestre ZUMBI

Eu tenho o toque no coração!

EU TENHO O TOQUE NO CORAÇÃO!


“Não basta apenas falar. É importante saber como se fala, ter compreensão do que se fala e mais: partir para a ação, para a construção de práticas e estratégias de superação do racismo e da desigualdade racial.”

 
 
 
bottom of page